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  • ONTOCRACIA
    Um Novo Começo
  • "O homem comum fala, o sábio escuta e o tolo discute."

    (Provérbio Japonês)

    “Ontocracia - Um Novo Começo” é uma proposta direta, desprovida de pretensão, a todos os Seres que estejam dispostos a enveredar por um novo caminho, ou novos caminhos, ou seja, um novo começo nas suas vidas, à procura da sua verdade. Temos o privilégio de viver num período de mudança, onde as “verdades” individuais e da humanidade estão a mudar a um ritmo acelerado.

    Começar de novo implica uma tomada de decisão, uma vontade de mudar, uma ação. Esta tomada de decisão não é apenas sobre o que fazemos, mas essencialmente, sobre quem somos e em quem nos queremos tornar.

    Sempre que nos propomos mudar, normalmente ficamos presos em justificações que nada são mais do que a manifestação do “medo do novo”, que nos atormenta constantemente na nossa vida diária.

    Descobrir o novo implica uma morte anunciada do velho, quero dizer, com isto, que o nosso passado deve morrer por inteiro. Estamos habituados a reagir, mais do que agir, e esta reação baseia-se sempre no nosso passado. Reagimos de acordo com os ambientes com os quais estamos familiarizados desde que nascemos. Somos seres condicionados e escravos deste passado, uma vez que o mesmo criou uma mecânica em nós, um conforto muitas vezes inquestionável. Embora nem sempre nos apercebamos, os nossos ancestrais também tiveram que mudar para permitir a nossa realidade de hoje em dia. Os nossos descendentes vão herdar as nossas mudanças e também vão testemunhar uma realidade completamente nova.

    Não pretendo influenciar-vos relativamente ao futuro, já que não faço a mínima ideia de como é que tudo vai ser, ou estar, nem é minha pretensão limitar-me ou limitar-vos com ideias, conceitos e verdades baseadas unicamente na minha perspetiva dentro da dualidade.

    Os tempos são de mudança e precisamos de nos esvaziar de todo o conhecimento, pois este é passado e deve dar lugar ao novo. O velho apenas nos limita e encobre a luz do mundo novo, que se avizinha para todos aqueles que procuram a verdadeira liberdade de SER.

    Nunca a minha vontade de Ser esteve tão presente como agora.  Vejo que o ser humano adora ser governado e dominado, sem uma verdadeira vontade de Ser. Isto leva-me a questionar a mim próprio e a primeira resposta que me surge é o masoquismo. Como é possível encontrar prazer na dor de uma falsa liberdade e na escravidão dissimulada em nome dos interesses de um coletivo, de um país ou de vários países?

    Segundo Etienne de La Boétie temos mais prazer na servidão do que na liberdade. Diz-nos também que ser livres torna-nos responsáveis diante da escolha e sem garantiasA escolha cria angústia. A escolha torna-nos sujeitos e depois objetos. A tirania seduz. Quem nos dá liberdade atira-nos para um vazio difícil de ser preenchido.

    Sinto-me dentro de uma gaiola dourada, pedindo socorro a toda a hora, mas ninguém houve. Os meus murmúrios, por vezes, parecem ser ouvidos como a mais bela canção que apazigua corações, mas a razão mais cedo ou mais tarde torna-me num escravo e num produto de consumo banalizado por todos aqueles que não querem ver nem ouvir. A porta está aberta, podes ser livre, mas se a tua escolha for essa, morrerás. Não existe nada para além da porta.

    Como é que eu me liberto?

    Esta é um pergunta fácil de responder por qualquer guru e mestre dos tempos modernos, que já perceberam o quão ávidos nós estamos à procura de respostas e de soluções fáceis. Se a gaiola já era dourada, agora passa a ser de platina.

    Mais uma vez vou recorrer a Etienne que nos diz: Libertem-se da servidão voluntária. Acabem com a servidão voluntária. Sejam resolutos em não servir e vocês serão livres.

    Então, o que é que me impede de ser livre? Decidir não servir, parece-me ser a resposta óbvia, mas não é assim tão simples. Reparo que esta escolha parece-me ingrata, pois acho que não é suposto ser necessário escolher alguma coisa. Dentro da escolha torno-me um fragmento contraditório, alguém com vontade própria, entregue ao seu destino. Esta vontade fragmentada é diferente da vontade de Ser, onde simplesmente eu posso Ser o que Sou. Na vontade de Ser, Eu Sou o caminho a verdade e a vida, manifestando a minha essência divina que sempre esteve dentro de mim e de todos nós, mesmo muito antes de chegarmos a este planeta.

    Segundo Jiddu Krishnamurti : O ser humano tem que ter vontade de Ser e não deve ser visto como uma mera mercadoria governada e dominada sobre a ideia de uma livre circulação de corpos, sem sentido de vontade de Ser, mecanizada e apropriada por uma matriz política que reduz os governados a um controlo total, em nome de um interesse comum.

    A máquina transformou-o num produto sem alma, alienando-o a si, e assumiu o predomínio sobre a sua vontade de ser, ou seja, feriu-lhe o orgulho, incutiu-lhe o preconceito e a inveja e determinou-o artificialmente.

    Partindo destes prossupostos, sou levado a concluir que a existência de um sistema ontocrático estaria condenada à partida porque o homem tem medo de ser livre. Está de tal forma domesticado, que ser ferido e lamber as feridas já faz parte do quotidiano e é inquestionável.

    Mesmo assim, eu acredito na vontade de Ser e acredito num novo sistema estrutural e independentemente de tudo, acredito no ser humano, acredito no espírito, acredito na divindade que existe em cada um de nós e que é o nosso verdadeiro alimento.

    Será que um sistema Ontocrático colocaria em causa todas as nossas estruturas, políticas, sociais, religiosas, económicas, educacionais, familiares, etc.?

    Sem dúvida que sim, mas como todos sabemos estamos tão agarrados a um sistema, que sair dele torna-se uma tarefa gigantesca e ninguém quer perder o protagonismo e a sua gaiola dourada.

    No entanto, estamos a esquecer-nos de uma coisa importante que se repete de geração em geração. Crises atrás de crises inventadas por alguns em busca de uma sobrevivência. As crises provocam medo e distúrbios sociais que parecem abalar as estruturas, mas na prática, não é isso que acontece. O capitalismo aproveita-se do medo gerado e procura fazer os reajustes estruturais de que necessita para continuar a sobreviver a todo o custo. As crises deviam ser oportunidades para questionar ideias estruturais pré-concebidas, mas como são manipuladas nunca vamos sair deste ciclo vicioso, a não ser quando a natureza ou algum fenómeno incontrolável nos dá a oportunidade de chegar ao fundo. Quando batemos no fundo, só aí é que temos a oportunidade de renascer de novo.

    Vejo que volto ao masoquismo e ao prazer da dor que tanto nos assola a todos.

    Num sistema Ontocrático todas as estruturas políticas, sociais, económicas, religiosas, educacionais, familiares, etc., devem ser questionadas e devem dar lugar ao novo. É necessário superar o anacronismo, o preconceito, os mecanismos corrompidos, o agir, o pensar, o sentir, etc.