• ONTOCRACIA
    Um Novo Começo
  • Os Magos e a Magia fazem parte da história do mundo e como não podia deixar de ser, também fazem parte da história de Portugal.

    Os Magos mais conhecidos de sempre e de quase toda a gente são, os Três Reis Magos, Merlim da lenda do rei Artur e outro bem conhecido da ficção e do cinema, o famoso Harry Potter. Claro que há muitos mais.

    A Magia é ancestral e está bem enraizada no colectivo, pelas melhores e pelas piores razões. A Magia faz parte de nós e está ao alcance de todos. A Magia é a arte de produzir resultados sobrenaturais, é a arte da criatividade, é a arte de representar o sagrado, é a arte da sabedoria e do conhecimento, é a arte do culto e do oculto, é a arte da ilusão e do desconhecido, etc.

    O inconsciente colectivo é algo “inato no ser humano”, algo parecido a uma “biblioteca universal” à qual todo o ser humano tem acesso. Neste inconsciente colectivo estão todas as mortes horríveis dos Magos do passado. Todos já ouvimos falar dos movimentos da caça às bruxas que proliferaram pelo mundo inteiro. Quem era diferente ou quem era contra o sistema político ou religioso era queimado vivo na fogueira. Quantos apelidados de hereges foram sacrificados por esse mundo fora, inclusive em Portugal.

    O maior Mago de todos os tempos foi sem dúvida Jesus Cristo.

    “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai”.

    As palavras de Jesus são mágicas e validam o Mago que existe dentro de cada um de nós. Jesus não é uma religião. A palavra religião vem do latim “religare”, significa ligar de novo o ser humano com o divino. É importante percebermos que nós nunca perdemos a ligação, a Magia. A sociedade e as religiões é que estão constantemente a lembrar-nos dessa perda. Muitas querem à força manter-nos ligados, mas sempre de acordo com o que eles profetizam e de acordo com as suas interpretações e filosofias. As parábolas de Jesus são intemporais e podem ter várias interpretações. O propósito está bem definido e cabe a cada um de nós fazer a sua própria interpretação e integração. A Fé não se ensina, sente-se através da emoção. É Magia sem dúvida. Todos nós temos a nossa Fé. Podemos esconde-la ou reprimi-la, mas ela está lá. A Fé é como o ouro, que derrete e que se torna cada vez mais puro sempre que é exposto ao fogo.

    Não estou a dizer que as religiões são todas más e que não devam existir. Claro que têm um papel a desempenhar, mas como todos bem sabemos, nem tudo é cor-de-rosa e muito menos divino. Quantos morreram e morrem, somente porque nunca quiseram religar-se, ou porque não quiseram subjugar-se ao poder exercido. Sim, ainda morrem muitos hoje em dia. Tudo isto ficou e fica plasmado no inconsciente colectivo. Tal facto só dá poder às religiões. Elas continuam presentes, porque nós continuamos a achar que precisamos delas. Continuamos a achar que precisamos que tomem conta de nós. Todos os sistemas estão montados nesta premissa. Todas as mortes do passado nos lembram que não podemos exercer a Magia. Lembram-nos que não temos direito a ser Magos. Estamos mesmo a ver quem são os verdadeiros Magos e que Magia é que praticam!

    Apelamos tanto à liberdade, mas somos tudo menos livres. A única coisa que nos sobra é o “Ser Livres de Espírito”, mas até isso nos querem tirar.

    Quando um homem sonha a Magia acontece. Como é importante sonhar! Sonhar sonhos de criança que se tornam realidade. Viver é mágico, assim como morrer. A Magia está por todos os lados, mesmo nos momentos mais difíceis. A Magia não é posse, a Magia é livre, a Magia é de todos. O verdadeiro mágico é aquele que acredita que é capaz, é aquele que dá o seu melhor, é o ilusionista, é aquele que engana os sentidos e o pensamento. É pelos sentidos e pelo pensamento que temos o mundo que temos. Ambos são a nossa sorte e o nosso azar. Quando nos falta a Magia, são sem dúvida o nosso azar. Quando falta a Magia, somos mais dos outros do que de nós mesmos. Os reis da ilusão sabem perfeitamente como anular a nossa Magia. Como nós precisamos deles, pelo menos é o que achamos, facilmente caímos no conto do vigário.

    O grande valor do Mago não está em enganar os outros, na ilusão. O valor está na perfeição da execução. Para isso existe todo um caminho a percorrer. Este não é um caminho qualquer, é o caminho para a sabedoria que habita dentro de todos nós. Para despertar o Mago, temos que encontrar a pedra filosofal. Temos que encontrar o Santo Graal. Só assim podemos transmutar qualquer “metal inferior” em ouro.

    Portugal, Porto do Graal, Porto do Mágico. Desde os tempos de Afonso Henriques que o Graal se encontra em Portugal. O Graal tem sido cobiçado ao longo dos tempos e interpretações e conotações não têm faltado. Uns dizem que é um cálice, outros que é uma pedra preciosa. Mais recentemente surgiu a teoria de que o Graal é o sangue de Cristo, a linhagem de Cristo. Que Jesus era casado com Maria Madalena e que tiveram uma filha. Tudo muito bem, tudo digno de um grande Mágico que continua a fazer Magia ainda no momento presente. O Graal, acima de tudo, é um símbolo Espiritual. O ser humano é que precisa de catalogar tudo, e de encontrar justificações. Gosta que lhe contem histórias, nem que sejam da carochinha. Quanto mais procurarmos o Graal mais difícil vai ser encontrá-lo. Jesus disse: “Bem-aventurados os que não viram e creram!”.

    Encontrar o Graal não é o ver com os olhos, nem o tocar com as mãos, mas um compromisso interior, como base para um amadurecido e sólido crescimento espiritual.

    Um velho mestre foi visitado por um jovem que queria ter mais intimidade com Deus. O mestre levou-o a um rio e disse: Vou-te ensinar como podes ter um encontro profundo com Jesus, respira bem fundo e prende a respiração. Então colocou-lhe a cabeça debaixo de água. Passado algum tempo o jovem começou a debater-se e ele lhe disse: Se buscares a Deus como buscaste respirar então irás encontrá-lo. Esta era a atitude do Salmista quando escreveu: Como o cervo deseja as águas assim eu te desejo a ti “ (Salmo 42:1)

    Esta terra da Luz à beira-mar plantada é bem mais mágica do que podemos imaginar. Por aqui andou Jasão, Hércules e os restantes argonautas, por aqui andou Ulisses, Deuses do Olimpo e Faraós. Por aqui andaram os Atlantes, Lemurianos, Troianos e Sumérios. Este Porto do Graal sempre foi Porto de entrada e de saída. Daqui saíram os construtores de Stonehenge, a távola redonda de Merlim e da corte do Rei Artur. Daqui saíram reis e rainhas, imperatrizes e imperadores. Daqui saíram as caravelas para novas paragens. Daqui emigrámos para todas as partes do mundo. Foi terra dos Ofis, Celtiberos, Álanos, Vândalos, Occitanos, Galaicos, Lusitanos, Fenícios, Gregos, Cartagineses, Suevos, Visigodos, Romanos, Judeus, Árabes (Moçarabes e Barberes), Cónios, Africanos e muitos mais.

    Parece que tudo isto é ficção e pouco tem de real. Afinal o que é a realidade? Já sabem a resposta? Claro que sim! Magia.

    A realidade é a manifestação da Magia dos grandes Magos. Todos queremos ver para crer e assim perdemos a beleza da execução perfeita do acto. Só depois de ver com os sentidos é que acreditamos, e é quando achamos que estamos a ver a realidade. A realidade é bem diferente do que os sentidos nos mostram. Não deixa de ser Magia, mas é pobre de Espírito. Aprender a ver para além dos sentidos é a verdadeira Magia. No campo do Espírito a realidade é intemporal. No universo o tempo não existe. O tempo como o conhecemos é uma criação nossa e não existe em mais lado nenhum. No não- tempo, campo das múltiplas possibilidades, tudo é criação em potencialidade. Se colocar aqui a equação dos multiversos, então temos a grande Magia da Criação.

    Realidade e ficção tocam-se e fundem-se numa espiral energética que contém todo o potencial da existência física e Espiritual. Somos um corpo material, mas também somos um corpo Espiritual. Estamos vivos, mas também estamos mortos. Vivemos na matéria, mas também vivemos no Espírito. Tudo muito complexo sem dúvida, mas não tenho dúvidas, é Magia pura do Grande Orquestrador.

    Este Porto do Graal sempre foi Porto de entrada e de saída. O Portugal sobrenatural não pode ser percebido pelos sentidos ou pelo pensamento. Só um Espírito aberto o pode ver. Ver para além da “Taprobana”. Duvidar é o primeiro passo para o comum dos mortais. Precisamos que nos digam tudo e que nos provem. Assim não vamos a lado nenhum. Tudo o que nos leva a um fim, todo um caminho é feito de Magia. Nada acontece por acaso e tudo tem um propósito, por mais que julguemos que não. Com a nossa mania de querer controlar tudo, andamos a reviver passado, presente e futuro. Porque será que não nos fartamos?

    Tudo porque perdemos a Magia, isto é, já não acreditamos que somos Mágicos. Tudo porque ainda não reaprendemos a viver. Estamos mortos e enterrados, aprisionados nas nossas cavernas, que não nos deixam ver a luz do sol. É preciso encontrar o Graal e trazer de volta a Magia. Só os puros de Espírito o podem fazer.

    Há muito mais a dizer desta terra da Luz, mas por enquanto vamos dando tempo ao tempo, porque assim é. A Magia está por todo o lado, basta acreditar. Estamos todos a precisar de um acto de Fé. Esta Fé, para mim, é uma nota musical que precisa de ser ouvida e integrada. A melodia do Espírito move montanhas.

    Boa Magia

    Deixo-vos ao som dos Queen

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