• ONTOCRACIA
    Um Novo Começo
  • Sempre houve ressabiados, mas atualmente eles estão a ficar mais refinados e vingativos.

    Afinal, quem são os ressabiados na nossa sociedade?

    Poderíamos pensar que são os mais desfavorecidos, mas não são, nem nunca foram. São precisamente os mais favorecidos, os mais abastados. Os ressabiados são quase sempre aqueles que estão na esfera do poder, quer seja político, religioso, militar, económico, etc. etc. São aqueles que ditam as regras. São aqueles que impõem os seus valores morais através do ódio e da vingança perante as classes que eles consideram inferiores.

    Ao longo das eras, temos andado a dançar, ao ritmo dos ressabiados que vão alternando na esfera do poder. Estão constantemente a promover a inversão dos valores morais. As regras do jogo estão sempre a mudar. O bom e o mau, o bem e o mal, o certo e o errado, a força e a fraqueza, a honra e a desonra, etc., são tudo valores que têm andado a saltitar ao longo dos tempos. Os ressabiados teimam em trocar de cadeiras no poder, única e exclusivamente para que possam exercer o seu domínio e materializar o seu sentido de vingança.

    Os ressabiados através do controlo e do poder impõem à sociedade os seus valores morais e procuram trazer os mais desfavorecidos para as suas fileiras. Não como iguais, mas como ovelhas tresmalhadas que precisam de ser guiadas e controladas. O comum dos mortais é tomado por um “instinto de rebanho” que faz com que deixe de pensar e agir por si próprio, aceitando a condição de fraco, inferior e de subjugado.

    Fala-se tanto em igualdade, mas esquecemo-nos que esta a existir, é apenas perante as leis que são impostas pelos ressabiados, todas em prol da saúde moral do rebanho. Todos sabemos que a igualdade perante a lei não corresponde à igualdade que existe entre as “ovelhas”. É muito fácil implementar leis, que como todos sabemos, apenas favorecem os ressabiados. As ovelhas que não seguem essas leis são consideradas doentes e desajustadas. Como somos seres de hábitos, é muito fácil exigir a adaptabilidade que tanto lhes convém, invocando as leis arquitetadas e provocando o medo de desobediência através da punição. Tudo isto nos torna medíocres e mais qualquer coisa que muitas vezes é difícil de definir.

    “A mediocridade é a arte de não ter inimigos. (Sofocleto)”

    Como podemos ser iguais perante algo, quando somos todos diferentes? Onde está a singularidade de cada um?

    Perante todo este cenário é obvio que surjam minorias a tentar chegar ao poder. O que vemos mais é minorias de ressabiados. As minorias infiltram-se no poder, e depois admiramo-nos quando somos confrontados com a energia de ódio e vingança, que espalham e que procuram implementar na lei, para que todos as possam seguir, sob a alçada do medo da punição.

    Ao fim de algum tempo percebemos que fomos enganados, mas o “instinto de rebanho”, já está tão enraizado que damos o caso por adquirido e encerrado. Seguimos cegamente o rebanho comandado pelos ressabiados.

    O tema das minorias, nem devia ser tema. Elas apenas mostram que são diferentes. A questão é que como não podem ser diferentes, vão tentar a todo o custo ser iguais. Isto só é possível se chegarem ao poder. Quando chegam lá, está montado o circo da vingança. Algo que era diferente passa a ser aceite, e mais tarde ou mais cedo pode passar a ser igual. Uma minoria passa a ser uma maioria.

    É triste que tenhamos de aceitar as diferenças, única e exclusivamente pela agonia da imposição.

    Apesar de tudo, vão dizer-me que esta não pode ser uma terra “sem rei nem roque”. Tem que haver quem nos governe e tem que haver leis e punição.

    Será que este belo país, supostamente democrático, não é uma terra “sem rei nem roque”?

    Pegando no tema atual do covid-19, acho que é mesmo “sem rei nem roque”. Os ressabiados tentam a todo o custo controlar o rebanho. Ou vai a bem ou temos o caldo entornado. Promovem de tudo um pouco e quando estão a ver que está a descambar, usam a lei como refúgio. É o momento ideal para as minorias dos ressabiados poderem agir. Está preparado o palco das apresentações democráticas num chamado estado de direito.

    Não é de admirar, que vai haver excluídos. Não é de admirar que vai haver ódio e vinganças. O público em geral está divido e não é para menos. Para os ressabiados quanto mais divididos estivermos melhor. É precisamente no “ponto de rebuçado” que eles nos querem, para poderem confecionar a melhor das iguarias, do seu ponto de vista de ressabiados.

    Andam a preparar-nos para isso e nós nem nos apercebemos. Daqui para a frente, todo e qualquer ressabiado que vá para o poder, ou que permaneça no poder, vai ter apenas uma coisa em mente. Voltar a reunir o rebanho. Como é que vão fazê-lo? Pela lei.

    A lei promove a igualdade perante a desigualdade, e há sempre quem se aproveite. As minorias ressabiadas quando chegam à lei têm o mecanismo ideal para manifestarem o seu ódio de vingança.

    Só assim é que conseguem impor-se. Depois vem a machadada final. O comum dos cidadãos vai passar pela agonia da sobrevivência, enquanto eles se sentam confortavelmente a encher os bolsos com o rescaldo da carnificina.

    Vamos entrar numa nova era de adaptabilidade onde tudo esquecemos, porque o piloto automático da sobrevivência entrou em ação.

    A riqueza de uma nação, de um povo ou de um indivíduo vai sempre gerar ressabiados e estes estão dispostos a enfrentar as agruras do poder, em prol de uma possível vingança prazerosa. É bater no ceguinho até que ele possa ver. Como sabem que isso não acontece, então, estão nas suas sete quintas. É só esperar.

    No final quem perde é sempre o mexilhão.

    Podemos e vamos continuar a escolher “senhores” para nos governarem democraticamente, ou não, mas estes só têm uma coisa em mente. Seguir a lei, alterar a lei, criar a lei, aproveitar-se da lei, manipular a lei e depois saltar fora. A vingança é um prato que se serve frio, já ouvi isto em algum lugar.

    Os ressabiados sabem esperar até que a oportunidade chegue. Esperam pacientemente pela melhor oportunidade para se vingarem. O estrago das vinganças destes “senhores” é bem visível na nossa sociedade.

    Seja quem for que esteja no poder, vai ter sempre este instinto de vingança e vai aproveitá-lo ao máximo. Vemos isso por todos os lados, salvo raras exceções. Que fique claro que isto não acontece só na esfera política.

    Todo e qualquer sistema que assente na exclusão da singularidade e suprima as diferenças entre os cidadãos, está condenado ao fracasso. Como podemos ser todos iguais perante a lei, se não somos todos iguais perante a sociedade?

    Onde estão os valores tais como: Liberdade, igualdade, honestidade, tolerância, compaixão, compreensão, gratidão, honra, modéstia, generosidade, sinceridade, coragem, solidariedade, colaboração, objetividade, etc.

    Veem estes valores nos ressabiados? Eu diria que não, exceto quando estão disfarçados de cordeiros.

    Em Portugal temos ainda os ressabiados do 25 de Abril que vão alternando no poder e cuja impunidade tem sido uma constante. Estes senhores continuam a achar-se os salvadores da pátria. 45 anos de ressentimento cheios de crises e mais crises, com FMI’s à mistura, bancos falidos, etc.etc.  Falam e apregoam a liberdade, mas a única coisa que vejo, é um país cada vez mais aprisionado e dependente das migalhas do exterior.

    Não tenho nada contra revoluções, guerras, ou outras formas de protesto e expressão. Tudo faz parte da condição humana com a consciência do momento. Um eterno insatisfeito. Infelizmente é o que mais temos no mundo todo e continuaremos a ter. Este é outro tema para reflexão.

    Não me interessa se estes senhores de abril são o A ou o B, até podia ser eu. O importante não é a cor, a raça, o nome, etc. O importante é que o coletivo perceba para onde é que estamos a caminhar e se estamos a caminhar. Os ressabiados apenas caminham num sentido, o do seu próprio umbigo. É isso que queremos? Mais de 40 anos com os mesmos ressabiados, a saltar entre cadeiras ao comando do país (estado, bancos, empresas, etc.) é um pouco demais. Não acham? Desculpem, mas eu não consigo perceber.

    Todos nós, podemos ser um dos ressabiados. Estamos errados? É claro que não estamos. Nós podemos ser tudo o que quisermos e se nos deixarem ainda podemos ser mais. O ressentimento é o que nos leva ao poder e o poder corrompe indiscutivelmente. Venha o mais pintado tentar refutar isto.

    Vamos continuar a ter ressabiados?

    É claro que sim. Isto tudo nunca é uma questão de ter razão ou de ser isto ou aquilo. É uma questão de consciência. Eu posso querer ser cordeiro e não tem mal nenhum. Eu posso querer ser ressabiado e também não tem mal nenhum. A diferença é que eu sei quem sou e em quem me quero tornar.

    A grande questão é que a sociedade atualmente é constituída por medíocres, mas sem convicção. Os ressabiados também fazem parte da sociedade, mas não tenho dúvidas da sua convicção.

    O ressabiado pode ter as suas razões, mas é importante que você também as tenha conscientemente. Depois não podemos queixar-nos.

    Eu até posso ser medíocre, mas conscientemente convicto.

    Boa reflexão