• ONTOCRACIA
    Um Novo Começo
  • Para caracterizar o ano de 2021, escolhi duas palavrinhas que podem dizer tudo: infantilidade e ingenuidade.

    Infantilidade e ingenuidade no sentido da desresponsabilização, da inação ou da simples reação. Já deu para perceber que os cidadãos não querem mudar. Querem continuar a viver dentro da sua zona de conforto. O baixo nível de maturidade intelectual ou emocional e a credibilidade num sistema que já deixou de funcionar há muito tempo, são características bem patentes na nossa sociedade Portuguesa e não só.

    Ainda não percebemos, que a nossa zona de conforto, nada tem de confortável. O problema é que, tal como uma droga, já nos tornámos dependentes do sistema como um todo. A única coisa que queremos, é que tudo volte a ser como antes. Nada mais infantil e ingénuo, devo concordar.

    “Na psicologia, a zona de conforto é uma série de ações, pensamentos e/ou comportamentos que uma pessoa está acostumada a ter e que não causam nenhum tipo de medo, ansiedade ou risco.” (Wikipédia)

    Bonita a definição, mas até que ponto isto é uma verdade para os portugueses?

    Passo a citar: “que não causam nenhum tipo de medo, ansiedade ou risco.”. Só dá para rir, quando vejo que a maioria vê isto como o ideal para as suas vidas. Temos andado a tomar drogas duras, sem margem para dúvidas.

    Olhando para um país que não gera crescimento, com baixo rendimento e com um aumento de dívida brutal, só posso concluir que o medo, a ansiedade e o risco sejam zero 😊. Ahahaha. Esta é a nossa zona de conforto. Isto significa que já aprendemos a viver com os baixos rendimentos e com as dívidas acumuladas. Significa que deixámos de ver alternativas e que já perdemos a nossa autonomia. Significa que estamos “drogados” e dependentes de um sistema, supostamente democrático e sem alternativas.

    Como sempre, estamos a procurar fora aquilo que está dentro. A dependência apenas mostra a nossa infantilidade e ingenuidade. Quando as transformações vêm de fora para dentro, só podem gerar dependência e aprisionamento. Estamos distraídos? Não! Estamos cegos e não queremos ver.

    Em 2021 vão continuar a “bater no ceguinho” sem dó nem piedade?

    Não tenho dúvidas e deixo o resto para os ingénuos.

    Como queremos o mesmo, vamos ter mais do mesmo. Vamos continuar a ver os nossos rendimentos a baixar, vamos continuar a ver os impostos a aumentar, vamos continuar a ver a emigração a aumentar, vamos continuar a ver as estruturas básicas do país a falir ou a desaparecer, vamos continuar a ver a dívida a aumentar, vamos continuar a ver a pobreza a aumentar, vamos continuar a ser intervencionados, etc.,etc.,etc. Os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

    Apesar de todo este cenário catastrófico, eu creio que 2021 vai ser mais um ano de provação do que de punição. Vai dar-nos a escolher entre aceitar “o novo” ou manter “o velho”. Se insistirmos em manter as estruturas políticas, económicas, financeiras, sociais, etc., tal como estão, então temos o que merecemos e não nos podemos queixar. Se aceitarmos o novo, então talvez possamos começar a ver a luz ao fundo do túnel. O novo já está a surgir e vai ser duro de aceitar, mas é preciso coragem e atenção.

    Por vezes o novo é apenas uma distração, e aí temos de ter cuidado. Podemos ver isso nas classes políticas. Pode parecer novo, mas vem desestruturado. Alguns dos novos partidos que estão a surgir não são mais do que filhos pródigos, que depois voltam à casa do pai. Nascem no sistema, revoltam-se, mas depois deixam-se engolir pelo sistema. Para serem aceites, fogem do sistema e tendem a posicionar-se nos extremos, embora alguns não o queiram admitir. Quanto mais longe melhor, porque assim não há identificação nem comparação. Aqueles que os seguem, mais cedo ou mais tarde vão perceber que caíram na cilada. Não passou de uma farsa, de uma birra de meninos mimados. Não trazem nada de novo, a não ser a sua arrogância e prepotência. Ou se está a favor ou se está contra, é a única coisa que conhecem e não vão permitir ser contrariados.

    Enquanto acharmos que devemos ser governados e que precisamos de líderes políticos, a nossa sociedade está condenada ao fracasso. Estamos sempre à espera de um salvador, de alguém diferente que nos diga o que fazer. Como é fácil cair na infantilidade e na ingenuidade e deixar o destino do nosso Ser entregue em mãos alheias. Depois admiramo-nos que haja cada vez mais corrupção, mais falta de liberdade, mais leis, mais impostos, mais controlo, mais guerras, etc. Como é bom estar aprisionado numa gaiola dourada. Esta é a realidade da maioria dos portugueses, que se deixam ofuscar pelo brilho do ouro da sua própria prisão. Existe todo um mundo lá fora, mas pelo que vejo, as pessoas preferem sobreviver aprisionadas a viverem em liberdade.

    Como estamos sempre a pensar de fora para dentro, então é natural que “o novo” surja de fora. O novo também vai passar pelo novo multilateralismo que já começa a ganhar raízes, também ele perigoso e que requer atenção. A pandemia veio sem dúvida acelerar as relações multilaterais. Portugal não tem forma de escapar ao multilateralismo europeu, que garantidamente vai ter uma hegemonia muito maior nos anos vindouros devido à dívida portuguesa que é cada vez maior. O grande problema é que as  estruturas multilaterais começam a ser financiadas por entidades privadas, o que, obviamente, lhes dá o poder de definirem  as suas próprias agendas baseadas nas suas convicções e interesses. Atualmente, a fundação Bill e Melinda Gates, para citar um exemplo, é a sétima maior financiadora da ONU e talvez uma das maiores financiadoras da OMS.  Os fundos desta organização, sem fins lucrativos, provêm de doações de privados.

    Este novo multilateralismo vai transformar a nossa gaiola dourada numa gaiola de ferro. É o que estamos a pedir se nada for feito. A gaiola dourada não dura para sempre e acredite que os novos senhores do mundo, vão sempre encontrar uma forma desleal de satisfazer os seus interesses. Não vão ter dó nem piedade.

    Parece que “o novo” é um desastre completo e que seria melhor voltar ao “velho”. Pois é! Como já disse várias vezes, “o novo” nunca pode surgir de fora para dentro. Essa é a ilusão. A gaiola dourada ofusca-nos e não nos deixa ver para além das grades. É como estar dentro de um balde de água no meio do oceano. O nosso pequeno mundo nada tem a ver com a realidade.

    As grandes transformações têm de vir de dentro. De dentro de nós, de dentro de um país. “O novo” que está a surgir de fora, estando longe do ideal, vai ser como uma alavanca. É como estar dentro do balde e de repente vem uma tempestade (alavanca) que nos projeta para fora do balde. Aí vamos ficar sem chão e vamos ter de aprender a nadar à força ou então afundamos e afogamo-nos. Já não devia ser assim, mas infelizmente ainda não aprendemos.

    Quando não aprendemos a bem, então aprendemos a mal. Neste momento já é um mal necessário. À deriva já nós estamos, porque a tempestade já se abateu sobre os portugueses. Agora é só uma questão de tempo. Ou aprendemos a nadar ou afundamo-nos ainda mais até ao último suspiro.

    Toda e qualquer mudança é sempre benéfica, por mais dolorosa que ela seja. Ao menos aprendemos qualquer coisa e deixamo-nos de infantilidades. Se tudo isto é necessário? Sinceramente, eu acho que sim. A gaiola dourada não serve mais e estamos a precisar de umas lições de natação.

    “O novo” que está a surgir é a nível global. Não é exclusivo de Portugal, mas como é obvio, os países mais fragilizados são os mais afetados.

    Todo este “novo”, que está a surgir, é apenas uma alavanca para que possamos chegar onde realmente interessa, ao realmente novo. São palmadinhas no rabo, para fazer abanar as estruturas e as mentalidades. Podemos ter que “chorar baba e ranho”, mas acho que já não há volta a dar.

    Falar de estabilidade em tempos de crise, é uma infantilidade. Os líderes e os governos sabem que a nossa ingenuidade vai jogar sempre a favor deles. Nada como ter alguém onde depositar a nossa confiança.  Estamos sempre à espera de um salvador, de alguém que nos diga o que fazer para atravessar a crise. Depositamos a nossa confiança em meia dúzia de líderes, porque achamos que são os únicos que têm voz na matéria e são os únicos que nos podem proteger.

    A crise pandémica tem mostrado o quão frágil é a nossa sociedade. Temos de sobreviver a qualquer custo, mesmo que a morte esteja anunciada. Os dias podem ser de agonia, mas sempre são mais uns dias. Estamos sempre a adiar o inevitável e confiamos cegamente em quem nos lidera como se não houvesse opção. Todos acham que a solução está na vacina, a salvadora da pátria, mas esquecem-se é que tudo tem um preço, e este pode ser alto. Isto nada tem a ver com teorias da conspiração. É única e exclusivamente uma constatação. A vacina é só o aspeto mais visível da solução. É o produto final e esquecemo-nos de tudo o resto.

    A pandemia surgiu por algum motivo e não foi obra do acaso. Era aí que nos devíamos focar. Vamos sempre atrás do prejuízo e vamos vivendo das belas soluções que alguém vai encontrando para nós. Temos uma dor de cabeça e tomamos um ben-u-ron, nada mais simples. Esquecemo-nos é que a dor de cabeça tem uma origem e a sua cura momentânea pode mais tarde tornar-se numa grande dor de cabeça.

    A vacina não vai curar nada nem ninguém. É apenas um escape momentâneo para uma sociedade doente e fragilizada. As “doenças” vão continuar a multiplicar-se e de tempos a tempos, vão aparecer como alertas de que algo não está bem. Como estamos só a reagir, acho que isto não vai acabar bem. Estamos a tapar o “sol com a peneira” e não estamos a querer ver.

    O reagir apenas vai trazer sofrimento, já que é condicionado pelo conhecido. Andamos sempre à procura de “bodes expiatórios” porque quando algo corre mal temos sempre a quem culpar. O problema é que passamos a vida a andar ao sabor dos ventos, a sobreviver, a resistir, mas isso não é viver, do meu ponto de vista. Viver é agir . O agir pressupõe uma ação consciente e uma mudança em relação ao que sempre aconteceu.

    Os governos são prós na criação de crises, sejam elas quais forem, porque é sempre algo que lhes interessa para controlarem a população e para atingirem os seus objetivos. Se repararem bem, vão ver que saem sempre beneficiados. O aproveitamento é generalizado e quando falo de governos, não estou a falar só dos que dão a cara, estou a falar dos que vivem na sombra, daqueles que os financiam. Ao apostarmos sempre no mesmo “cavalo de corrida” estamos a perpetuar o nosso sofrimento. Só a mudança é que pode gerar “o novo”, novos pensamentos, novas atitudes, novos caminhos e novos resultados.

    Em Portugal estamos sempre, ou quase sempre a apostar no mesmo “cavalo de corrida”, em prol da estabilidade. É uma farsa completa porque a estabilidade apregoada só nos tem trazido sofrimento e desequilíbrio. A estabilidade apregoada, não tem passado de uma morte lenta e dolorosa. Já não vai lá com “ben-u-rons”.

    A maioria das pessoas acha que a mudança só acontece quando mudamos de políticos ou de política. Um erro crasso. Vamos para uma mesa de voto e votamos em A ou em B e logo se vê. Ainda ninguém percebeu que isto é “poucochinho”? Ainda ninguém percebeu que isto só interessa a meia dúzia de iluminados? Ainda ninguém percebeu que votamos na “cor” e que a maioria nem nunca leu um programa político? Ainda ninguém percebeu que votamos no amigo do amigo, no vizinho do vizinho e no que sempre foi? Ainda ninguém percebeu que votamos numa estabilidade, que na realidade não existe?

    O direito de voto é mais uma farsa. Como todos sabemos, as condições sociais da população são díspares (pobreza, miséria, analfabetismo, etc.) e estas impedem ou limitam o livre exercício do direito de voto. Como todos sabemos, o direito ao voto é desprovido de dignidade, já que o protesto (quem não vota ou quem vota em branco) não tem “assento na assembleia da república”.  Temos de ter um “bode expiatório” para justificar o desastre democrático. Se isto interessasse já teria sido mudado.

    Se pensarmos só no nosso umbigo, até podemos achar que está bem como está. O sistema tem funcionado, apesar de todos os atropelos, é o que vão dizer-me. Somos uma democracia, porque há coisas piores, igual ou parecida a muitas outras. Se a questão fosse só aquilo que nós achamos e o nosso umbigo, então não se mudava nada. Quando nos interessa, então porquê mudar? Quando é que vamos começar a olhar para a sociedade como um todo, onde cada um importa e onde cada um tem um papel a desempenhar?

    Esta história de só mudarmos quando as coisas estão mal, é que acho que não faz sentido. Só mudamos quando já temos a corda ao pescoço. A mudança deve fazer parte do nosso quotidiano e devemos mudar sempre que algo não está bem ou menos bem. A estabilidade mais cedo ou mais tarde vai mostrar-nos o quanto estávamos errados. A estabilidade só vai trazer a instabilidade dolorosa. Vale mais mudar um pouco de cada vez, do que ter de mudar à força.

    Todos acham que com a vacina tudo vai voltar à normalidade. Tudo vai voltar a ser como antes. Santa ingenuidade, digo eu. Tudo o que aconteceu em 2020 teve um propósito, assim eu tivesse outras certezas. Não tenho dúvidas que vamos começar 2021 muito mais fortalecidos. Resta saber é se aprendemos a lição ou se tudo não passou de uma distração. “o novo”, que já está aí, vai ser uma grande dor de cabeça. Vamos saber lidar com isso? Se continuarmos apenas a reagir é claro que não.

    Temos impreterivelmente de substituir o reagir pelo agir.  Não podemos ser meros expectadores e aceitar tudo como se não houvesse opção. A receita vai ter que mudar se não quisermos continuar a “comer mais do mesmo”. A receita antiga passa por: mais estado, mais controlo, mais impostos, menos regalias, menos rendimento, menos liberdade, salvação de bancos e empresas falidas, linhas de crédito, acumulação de dívida, manutenção do trabalho precário, etc. A pandemia veio acentuar alguns destes ingredientes e ainda veio acrescentar mais alguns, que nos tornam ainda mais dependentes do sistema. Como queremos continuar dentro da gaiola, é óbvio que vamos continuar a comer e a pagar aquilo que os “iluminados” querem.

    Será que há uma outra/nova receita? O que há mais são receitas, basta estarmos dispostos a mudar e a mudar. A única coisa que nos vai fazer sair do buraco é a mudança. Não há outra forma. Um maior controlo nunca vai ser benéfico para o país, porque o controlado é sempre o mesmo. Este já está sufocado e mais do que escravizado. Só falta saberem as vezes que ele vai à casa de banho, e até nisto já tenho dúvidas. Tudo deve ser “com conta, peso e medida”. Quando assim não é, o resultado não pode ser o melhor.

    Nunca esperem que a mudança venha de cima. É necessário expandir o potencial individual a partir de baixo. Isto só é possível, se cada individuo perceber, de uma vez por todas, que o poder não está nas mãos dos que nos governam. Devemos criar espirais ascendentes de empoderamento, para que as mentalidades mudem e para benefício do coletivo. As formas de empoderamento que têm surgido na nossa sociedade já não deviam fazer sentido, uma vez que têm origem na insatisfação de pequenas minorias. Não estou a retirar a importância, mas o empoderamento tem de ir muito mais além do que: o género, a raça, a orientação sexual, homens e mulheres, crianças e adultos, gays e héteros, brancos, negros, amarelos, etc. Todo este empoderamento gera conflito e sinceramente acho que devíamos gastar a nossa energia em algo mais proveitoso para a sociedade como um todo. Há temas que já não deviam ser temas e continuamos a dar-lhes importância para justificar o que já está mais do que justificado. O conflito só interessa a meia dúzia de iluminados que pretendem manter a divisão para poderem reinar. Querem manter-nos entretidos e “a santa ingenuidade” continua a perdurar.

    Cada um deve ter o poder sobre a sua própria vida, sendo consciente das suas próprias ações. Deve procurar o conhecimento de si próprio, dos seus direitos e da sua história de vida. A sociedade é feita de indivíduos e cada um deve contribuir com o seu melhor. Se passamos a vida a tentar impor as nossas verdades, só estamos a contribuir para a divisão e para o conflito. Não existem verdades absolutas, e as verdades de hoje, podem não ser as verdades de amanhã. Vai haver sempre quem tente impor a sua verdade, mas como temos sempre, do outro lado, uma reação, então, só vamos contribuir para o conflito. Devemos partir para a ação e esta passa pela escolha, pelo livre arbítrio de cada um. Passa por respeitar o outro, ouvir o outro, perceber as suas dores e por trabalharem/crescerem em conjunto, onde cada indivíduo importa. Defender a sua verdade sem se conhecer a si próprio é um grande tiro no pé. A maioria passa a vida a defender verdades que eu chamo de “só porque sim”. Verdades iluminadas por alguns, cujo intuito é mantê-lo dentro da gaiola dourada. É muito fácil acreditar no “pai natal”, quando o nosso mundo se resume a quatro paredes.

    Infelizmente, o ser humano continua a evoluir pela dor, pelo conflito. Uma receita errada, mas que continua a servir os propósitos de alguns. Só estamos bem se houver conflito. Nada como um belo conflito para que possamos afiar as unhas. Se repararem o aproveitamento político passa sempre pelo conflito. Aproveitam-se de tudo para levarem o cidadão para as suas fileiras. Campanhas e debates políticos que mais parecem batalhas campais onde a única coisa que importa é a “lavagem da roupa suja”. Uma batalha entre a verdade e a mentira onde ambas se confundem. O que de facto importa, esfuma-se no meio de tanta idiotice. O que fica no final é quem perdeu e quem ganhou. Depois vem a guerra de bastidores nas redes sociais, onde os que supostamente vão ter voto na matéria, afiam as unhas e aproveitam para exercer toda a sua raiva no mundo virtual do desconhecimento. Agridem-se uns aos outros, sem se conhecerem de lado nenhum, e tentam impor a sua verdade a todo o custo. Esta é a participação do comum dos mortais na vida política. Nesta matéria, nada de novo. Pura infantilidade e ingenuidade.

    Sei que “o novo” não me agrada e nem deve agradar a muita gente. No entanto este “o novo” pode ser outro se assim o entendermos. Vamos reagir ou vamos começar a agir?

    Cuidado com o populismo, este traz mudança, mas nunca é benéfico porque não deixa de ser uma reação. É mais uma infantilidade onde vale mais parecer do que ser. Podemos ver isso no Brasil e nos EUA.

    Cuidado com o extremismo, este traz mudança, mas nunca é benéfico porque não deixa de ser uma reação. É a santa ingenuidade dos ressabiados que querem mudar à força. Pretendem uma mudança radical e recusam-se a olhar para o futuro. Se queremos retroceder como sociedade é neste “cavalo” que devemos apostar. “olho por olho dente por dente”.

    Cuidado com a estabilidade, esta traz mudança, mas ela é lenta e dolorosa. A tendência é sempre a piorar. É mais do mesmo e não nos leva a lado nenhum.

    Será que estamos dispostos a mudar, a agir? Ou vamos mudar à força?

    Uma coisa é certa. Não tenho dúvidas que vamos passar por momentos complicados e difíceis. Se continuarmos a apostar nos mesmos ou nos novos “cavalos cansados”, o resultado não vai ser diferente. Revoltas sociais e instabilidade económica e financeira. Rotura e desconfiança nos governos. Endividamento e pobreza generalizada. Suspensão dos direitos e garantias constitucionais. Quando começarem a atacar a propriedade privada e quando as “Marias” começarem a sair à rua temos o caldo entornado. Mais do mesmo. Estamos a arrastar o inevitável e podemos andar nisto durante mais 10 anos. É isto que queremos para os nossos filhos e netos?

    Está na hora de acordar para o realmente NOVO e este nunca vem de fora. Não há um salvador. Temos de ser mais inteligentes, e perceber de uma vez por todas, que as velhas fórmulas não resultam mais.  Se elas não resultaram no passado, como é que vão resultar agora? Podem resultar momentaneamente, mas só estamos a adiar o inevitável que também é bem conhecido.

    Como vamos lidar com o multilateralismo?
    Vamos apostar na suposta estabilidade governamental e presidencial?
    Vamos apostar em novos líderes políticos?
    Vamos continuar a endividar-nos?
    Vamos continuar à espera de um salvador?
    Vamos continuar dentro da gaiola dourada, ou estamos dispostos a mudar?
    Vamos continuar a sobreviver, ou vamos começar a viver?

    Não pretendo ser dono da verdade e todos os argumentos devem servir apenas para reflexão. O importante é que da próxima vez que agir, o faça em consciência, independentemente de concordar comigo, ou não.

    O texto já vai longo e muito mais havia para dizer sobre 2021, mas fica para outras reflexões.

    Eu sei que Portugal é apenas uma árvore no meio da floresta mundo, mas a floresta é feita de árvores. Espero que 2021 traga melhores sementes e traga “o realmente novo”. Mudar não é fácil, nem nunca foi, mas se não mudarmos vamos ter mais do mesmo. Há pessoas que nunca se cansam, mas eu acho que já nasci cansado 😊. 

    Bom Ano novo

    Boa reflexão

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